PE do Rio Turvo
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Áreas de Observação

Parque Estadual do Rio Turvo

Trata-se de unidade de conservação cujo objetivo é a proteção e preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação, recreação e ecoturismo.

O Parque Estadual do Rio Turvo possui 73.893,87 hectares espalhados pelos municípios paulistas de Barra do Turvo, Cajati e Jacupiranga. Seu nome “faz referência a um dos principais afluentes do Rio Ribeira, o Rio Pardo, que é encachoeirado e possui diversas quedas d’água pelo percurso, que alterna trechos mansos e correntezas”.

Há três núcleos no parque (Capelinha, Serra do Cadeado e Cedro), os quais “oferecem aos visitantes atividades ecoturísticas, com atrações como o Mirante do Aleixo, lugar a 1,1 mil metros de altitude que permite observar a cidade de Cajati e o mar de morros do parque; o Mirante do Guaraú, considerado um dos melhores pontos de vôos de paragliders e asa-delta do sul do Estado; Cachoeira do Azeite, situada na nascente do Rio Azeite; a Gruta da Capelinha, onde ficou escondido o capitão Lamarca na década de 60; a Trilha da Cachoeira e a Trilha das Andorinhas”.

“O núcleo abriga, ainda, um importante sítio arqueológico, onde foi encontrado um fóssil com cerca de 9 mil anos, considerado o mais antigo registro de ocupação humana dentro do Estado de São Paulo”. De fato, “Em 1999, arqueólogos, geofísicos e biólogos, encontraram a poucos metros do Centro de Exposição, o esqueleto fossilizado de um homem, com aproximadamente 9 mil anos. O fóssil do Homem da Capelinha é considerado o mais antigo registro de ocupação humana dentro do Estado de São Paulo, posteriormente denominado pelos pesquisadores de “Luzio” (referência a Luzia, fóssil de esqueleto feminino encontrado em Belo Horizonte que viveu há mais de 11 mil anos, considerado o mais antigo das Américas). Luzio foi transferido para o Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP em 2000.

A região também se destaca pela grande quantidade de Sambaquis (material formado de conchas característicos da antiga população do litoral). Historiadores afirmam que o local onde Luzio (habitante da região há 10 mil anos) foi encontrado pode ter sido um cemitério, onde os corpos eram cobertos por uma grande camada de conchas, formando os Sambaquis, atingindo entre 80 centímetros a1 metro.

Outro grande atrativo histórico que o Núcleo Capelinha possui é a passagem do Capitão Carlos Lamarca e seus 16 guerrilheiros da Vanguarda Popular Revolucionária (VRP) em 1969, durante a fuga da perseguição da ditadura brasileira. A Gruta da Capelinha e a Trilha do Lamarca são atrativos do parque que aliam história e natureza”.

A área do parque está situada no Vale do Ribeira e serras adjacentes, região situada ao sul do Estado de São Paulo e norte do Paraná.

“Com uma das maiores biodiversidades do planeta a região é considerada Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO, devido ao fato de possuir a maior porção de Mata Atlântica do Brasil. Além da riqueza natural, a região apresenta uma grandiosa riqueza cultural devido a presença de comunidades indígenas, caiçaras e quilombolas”.

O Parque Estadual do Rio Turvo é fruto de desmembramento do antigo Parque Estadual de Jacupiranga, mediante a criação do denominado MOSAICO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO.

“O antigo parque foi subdividido em três parques estaduais: Parque Estadual Caverna do Diabo; Parque Estadual do Rio Turvo; e Parque Estadual do Lagamar de Cananéia. Além dos parques, novas unidades de conservação foram criadas, formando o Mosaico de Unidades de Conservação, a saber: cinco Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS), quatro Áreas de Proteção Ambiental (APA), duas Reservas Extrativistas (Resex) e duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), totalizando assim 243.885,15 ha.

A maior parte do Mosaico está associado à Bacia do Rio Ribeira de Iguape, principalmente pela contribuição às bacias dos afluentes dos rios Turvo, Batatal e Jacupiranga. A densidade da rede de drenagem é muito alta, e o aporte de água por precipitação é grande, o que caracteriza a área como importante manancial.

A Baixada Litorânea apresenta seus rios desaguando diretamente na região lagunar, que forma o Complexo Lagunar Iguape-Cananéia Paranaguá. Os principais rios nessa região são o Ipiranguinha, o Rio das Minas e o Taquarí.

O Mosaico do Jacupiranga está localizado na Província Espeleológica do Vale do Ribeira, região que conta com grande densidade de cavernas de médio porte, com desenvolvimento tanto horizontal quanto vertical. Situa-se entre os domínios Tropical Atlântico e Planalto das Araucárias, com um conjunto de feições características.

O cadastro de cavidades naturais (CCPE/SBE apud SOS Mata Atlântica 1993) registra 6 grutas na área do Mosaico, no entanto possivelmente mais de uma dezena de outras pequenas cavidades e outras com potencial turístico ocorram além destas. A gruta mais importante e conhecida é da Tapagem (ou Caverna do Diabo), que recebe visitação regular a mais de trinta anos e apresenta estruturas e iluminação que facilitam a entrada do turista comum.

Descoberta em 1896 por Ricardo Krone, esta gruta situa-se na Serra de André Lopes e corresponde ao trecho subterrâneo do Rio das Ostras numa extensão superior a 5 km e é dividida em três trechos: Gruta da Tapagem, Gruta das Ostras e Galerias de Ligação.

Além desta lente principal existem outras pequenas áreas calcárias no interior do mosaico, em especial na área conhecida como Capelinha, no município de Cajatí. Nesta área existe, inclusive, uma gruta com grande potencial turístico.

O Mosaico do Jacupiranga está localizado nos limites da distribuição de florestas ombrófilas mistas, florestas estas que vão sendo substituídas por florestas ombrófilas típicas de mata atlântica, existindo ainda áreas com araucária no seu interior. O gradiente altitudinal também é marcante, saindo da planície costeira a uma altitude de cerca de 10 metros até o topo da Serra do Cadeado a 1.310 metros.

Nas florestas ombrófilas originalmente o palmito (Euterpe edulis) era encontrado em altas densidades. A ação contínua de palmiteiros clandestinos vem reduzindo drasticamente a ocorrência desta espécie na área do mosaico.

São encontrados ainda no Mosaico tipos especiais de floresta, como aquelas que se desenvolvem sobre calcário e florestas baixa de restinga (jundú). Vegetação aberta ocorre principalmente em topos de morro, geralmente sobre finas camadas de solo ou diretamente sobre a rocha. Estas comunidades especiais podem apresentar casos de endemismos e são mal conhecidas, principalmente aquelas das serras mais altas (Cadeado e Virgem Maria).

Das espécies da fauna, são destacadas as que se encontram ameaçadas de extinção, devido à perda de habitat ou à caça, e por serem espécies raras ou endêmicas da área: Mono-carvoeiro ou muriqui (Brachyteles arachnoides) –ameaçado principalmente devido à perda e à fragmentação de habitats-, Mico-leão-caiçara ou mico-leão-da-cara-preta (Leontopithecus caissara) –ameaçado devido à perda de habitat e à caça-, Onça pintada (Panthera onca) –ameaçada devido principalmente à perda de habitat e à caça-, Papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) –ameaçado principalmente devido à perda de hábitat, também é alvo de caça e comércio ilegal-, Papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) –ameaçado devido à caça, comércio e principalmente à perda de hábitat-, Sabiá-cica (Triclaria malachitacea) –ameaçada de extinção devido à caça, à perda de habitat e ao extrativismo de palmito-, Pica-pau-de-cara-amarela (Dryocopus galeatus) –espécie rara, com pouquíssimos registros recentes de ocorrência, que parece ser especialista de habitats e provavelmente necessita de grandes áreas florestadas para sobreviver.

História

Antes de se tornar Parque Estadual Rio Turvo (PERT), a unidade estava situada dentro do Parque Estadual de Jacupiranga, que era considerado um dos maiores parques do Estado com 150 mil hectares.

Em fevereiro de 2008, o Parque Estadual de Jacupiranga recebeu uma nova atribuição e foi subdividido em 14 Unidades de Conservação, formando o Mosaico de Jacupiranga. Uma dessas unidades é o Parque Estadual Rio do Turvo, criado pela Lei Estadual n°12.810, 21 de fevereiro de 2008.

Infra-estrutura

Não há, no interior do parque, hospedagem, restaurante, lanchonete e camping. Existem quatro quiosques que podem ser utilizados mediante prévio agendamento. Hospedagem, alimentação e outros serviços poderão ser obtidos no entorno imediato, sem grandes dificuldades.

O parque conta com um Centro de Exposições Temático (CET) no Núcleo Capelinha e oferece vários atrativos, como o Museu da Capelinha, exposições temáticas e várias informações sobre o parque e a região, além de réplicas de animais da Mata Atlântica. A partir do Núcleo Capelinha é possível acessar trilhas, cachoeiras, cavernas e pontos turísticos que fazem referência à história da região.

NÚCLEO CAPELINHA

Dias e horário de funcionamento: de segunda-feira a domingo, das 9h às 17h30

Visitação aberta mediante agendamento prévio

Entrada Franca

Endereço: Rodovia Régis Bittencourt, km 511/Sul B° Capelinha, Cajati

Informações e agendamentos: (13) 3821-1480 ou (13) 3821-5030 ou (13) 3855-7137

SEDE ADMINISTRATIVA

Av. Clara Gianotti de Souza, 1139, Registro/SP, CEP: 11900-000B

horário de funcionamento: das 8h às 12 e das 13h às 17h

Telefones e Informações: (13) 3821-1580 / 3821-5010 / 3855-7115

E-mail: pe.rioturvo@fflorestal.sp.gov.br

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Referências

FUNDAÇÃO FLORESTAL

http://fflorestal.sp.gov.br/2012/11/27/parque-estadual-rio-turvo-inaugura-centro-de-exposicoes-tematico-no-nucleo-capelinha/

http://www.ambiente.sp.gov.br/parque-rio-turvo/informacoes-ao-usuario/

SISTEMA AMBIENTAL PAULISTA

http://www.ambiente.sp.gov.br/ecoturismonamataatlantica/parques-envolvidos/parque-estadual-caverna-do-diabo-informacoes/

Fonte: RAMOS NETO, M. B. 1999. Parque Estadual Jacupiranga – Documentos Básicos para o Plano de Manejo.